Perguntas Frequentes

Eu recebi bastantes comentários questionando sobre a cirurgia, quando deve ser feita, qual é o melhor procedimento e outras dúvidas que achei bastante pertinentes, e fui buscar as respostas, após pesquisar bastante lembrei que meu médico me indicou o site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, onde é possível sanar se não todas a maioria das dúvidas que temos sobre a cirurgia.

O que é Obesidade Mórbida?
Obesidade Mórbida é definida como um Índice de Massa Corpórea igual ou superior a 35 Kg/m2 com comorbidades, 40 Kg/m2 ou mais, sem comorbidades ou IMC acima de 40 conforme tabela abaixo.

IMC

O que é Índice de Massa Corpórea?
É o peso (em Kg) dividido pela altura do paciente (em metro quadrado).

O que significa comorbidade?
A condição de obesidade severa está associada a um grande número de problemas de saúde. Alguns desses problemas são causas de morte precoce como a doença das artérias coronárias, o diabetes de início em idade adulta, as dificuldades respiratórias do obeso e apnéia do sono, o risco aumentado de embolia pulmonar por alterações da coagulação sanguínea e outros. Existem também outros problemas que podem estar presentes como doenças articulares graves dos membros inferiores e até mesmo um risco aumentado para alguns tipos de câncer (útero, mama, intestino grosso).
Estima-se que o risco de morte prematura de homens severamente obesos é 12 vezes maior quando comparado com homens não obesos na faixa etária dos 25 aos 34 anos.

Quando se opta pelo tratamento cirúrgico?
Normalmente os pacientes que são submetidos à Cirurgia Bariátrica já passaram por vários tipos de dieta ou por outros meios que objetivam a perda de peso. Contudo, quando se alcançam índices de peso que definem obesidade mórbida, com ou sem comorbidades, a indicação cirúrgica torna-se incontestável no sentido de se minimizar os riscos de mortalidade precoce.

Quais são os tipos de cirurgia?
As cirurgias realizadas e que são reconhecidas pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e pelo Conselho Federal de Medicina são as seguintes:
» Cirurgias restritivas – são as menos utilizadas atualmente, têm o objetivo de restringir o volume de alimento ingerido. A mais realizada constitui-se na colocação de um anel ajustável de material altamente especializado na transição esôfago-gástrica.
» Cirurgias restritivas com desvio do trânsito intestinal (Capella / Wittgrove) – são as mais realizadas. Transformam uma porção do estômago em um pequeno reservatório de +/- 30 ml, diminuindo bastante a quantidade de alimento ingerido, e também promovem uma disabsorção de uma fração dos alimentos através de um desvio no trânsito do intestino delgado.
» Derivações bílio-pancreáticas (Scopinaro/Duodenal Switch) – são procedimentos com indicações mais selecionadas que levam a um processo de maior disaborção alimentar e não interferem na quantidade de alimento ingerido.

Essas cirurgias oferecem riscos? Quais?
Sim, como quaisquer outros procedimentos cirúrgicos. Embora mínimos, existem índices de morbidade e mortalidade cirúrgicos. A mortalidade desse procedimento varia obviamente com a condição clínica pré-operatória do obeso e seu grau de obesidade. As complicações mais comuns no período pós-operatório são as pulmonares (pequenos colabamentos no pulmão–atelectasias e pneumonias), trombose venosa profunda e embolia pulmonar (coágulos que se forma dentro do sistema venoso), infecção da ferida operatória, vazamento do conteúdo gastrointestinal através da abertura das suturas (costuras) realizadas, sangramento digestivo pelo reto, e cálculos na vesícula biliar a longo prazo.  De modo gera, a mortalidade encontra-se em níveis inferiores a 3%.

Por que optar pela cirurgia aberta ou videolaparoscópica?
A cirurgia realizada da forma aberta (convencional) ou por videolaparoscopia é exatamente a mesma, o que muda é o acesso utilizado – grandes incisões (na aberta) ou mini-incisões (na laparoscópica). Obviamente, quando se opta pela forma menos invasiva, a dor pós-operatória e as complicações com a própria ferida cirúrgica são menores, o tempo de internação e de recuperação também é menor, fazendo da cirurgia por videolaparoscopia a mais adequada e devendo ser indicada sempre que possível.

Em média quanto tempo dura o procedimento?
Em média esses procedimentos duram em torno de 1h e 30 min. a 2 horas, mas depende da experiência do cirurgião e do entrosamento de sua equipe cirúrgica, principalmente quando realizada por videolaparoscopia.

É uma cirurgia dolorosa?
As cirurgias realizadas da maneira convencional (aberta), diferentemente daquelas realizadas por videolaparoscopia, tendem a proporcionar mais dor no período pós-operatório devido à extensão da incisão cirúrgica, mas é um fato totalmente controlável uma vez que existem no mercado poderosos esquemas de analgesia pós-operatória, seja forma endovenosa ou por via oral.

Qual o tamanho da cicatriz?
No procedimento convencional, é realizada uma incisão vertical acima da cicatriz umbilical, cuja extensão varia de acordo com o cirurgião e o paciente, porém esta deve ter no mínimo 20 cm. Já no procedimento videolaparoscópico, são realizadas cinco a sete pequenas incisões estratégicas de 10 a 12 mm.

Há alguma recomendação específica para o pré-operatório?
Além do preparo pré-operatório que se faz de rotina para qualquer procedimento cirúrgico, é solicitado ao paciente que se esforce para uma certa perda de peso, pois alguns quilos a menos podem significar melhores condições para uma anestesia geral e também podem ajudar durante o procedimento.

Qual é o tempo médio de recuperação?
O paciente estará apto a realizar atividades leves em aproximadamente 7 a 10 dias. Já para atividades que exijam esforços físicos moderados é razoável aguardar um período de pelo menos 30 dias.

Como será o pós-operatório?
Nas operações realizadas por videolaparoscopia o período pós-operatório costuma ser tranqüilo, com pequeno desconforto nos locais das incisões. É muito importante salientar que a dieta (líquidos) adotada nesse período deve ser seguida rigorosamente.

Como será minha alimentação?
Em decorrência do processo restritivo que é criado com a cirurgia, mínimas quantidades de alimento várias vezes ao dia são suficientes para gerar saciedade plena.

Sentirei muita fome?
Não. O primeiro reflexo de saciedade da fome é o enchimento do estômago, e como agora ele é bastante reduzido, poucas quantidades de alimento são suficientes.

(fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica)

Vale ressaltar que nenhum site ou blog pessoal sabe mais que seu médico cirurgião, somente o seu cirurgião poderá recomendar algo a você. Se amigos, farmacêuticos, ou pessoas que já fizeram a cirurgia recomendarem algo a você, leve o caso ao seu médico, pois só ele poderá dizer se as medidas cabem a você.
Cada pessoa reage de um modo ao tratamento e a cirurgia, é sempre bom ouvir opinião e relatos, mas sempre lembre com você pode ser diferente.