3 anos de Rumo à Bariátrica

Caramba, como o tempo passa rápido. Parece que foi ontem que eu escrevia o primeiro post desse blog que no início era apenas uma indagação: Rumo à Bariátrica? Afinal essa era uma pergunta que eu me fazia quando entrei para o núcleo de saúde preventiva da Unimed Piracicaba. Minha situação na época era: pressão arterial 18×10 pesando 128kg, só resolvi participar do grupo multidisciplinar do plano porque eu estava indo pra faculdade e ao passar na roleta do ônibus eu quase fiquei entalada, aquilo pra mim foi a gota d’água.

O grupo me ajudou muito, mas tiveram situações que me tiraram do sério, como quando a psicóloga chegou a dizer “Deus me livre ficar gorda” quando ela contava que tomou um milk-shake e ficou com medo engordar, ou então, quando eu tinha feito tudo certo na semana e ao pesar percebia que eu tinha engordado e pra ajudar a nutricionista ao invés de tentar entender a situação só sabia criticar. Mesmo tendo passado por alguns percalços, com o tempo eu fui percebendo a real necessidade da cirurgia.

A liberação do plano aconteceu, a cirurgia foi marcada, mas sabe do que eu realmente tinha medo? Não era de morrer na mesa, mas sim de que se eu viesse a morrer quem teria que carregar o meu caixão, o caixão de uma gorda de 123kg, a vergonha que eu teria ao ver as pessoas carregando aquele monte de banhas e dizendo coisas que eu ouvi a vida toda…

Cirurgia feita, e eu achava que a pior parte era a dieta líquida, mas como eu digo para quem me pergunta até hoje qual é a pior parte? Por incrível que pareça é depois que acabam todas as limitações alimentares, é quando você pode e consegue comer de tudo, e a sua cabeça percebe que você pode comer mais um pouquinho que tá tudo bem, que não vai fazer mal, mas sim você vai passar mal, terá dumping ou indigestão…

Eu percebi com esse blog que muitas pessoas me procuram com questionamentos clínicos, e informo que quem fez essa cirurgia não é habilitado a responder sobre sintomas decorrentes dela, pra ter essas respostas procure um médico, se alguma pessoa que não tem diploma médico te orientar sobre esse tipo de assunto ela está cometendo um crime o de exercício ilegal de medicina!

É minha gente, agora não tenho mais um corpo gordo, apenas algumas sobras de pele, que o plano insiste em dizer que não é necessária a retirada delas para que eu tenha qualidade de vida. Ao me olhar no espelho eu vejo um corpo magro, mas não consigo me sentir magra, dentro de mim sempre vai viver uma obesa que pode voltar à tona a qualquer deslize.

A vida do obeso magro não é fácil, mas é mais bela que a do obeso gordo. Não vou mentir que tenho meus tropeços e enfiadas de pé na jaca, mas eu tento me controlar ao máximo e fiz da atividade física minha aliada, tento frequentar a academia de segunda a sexta fazendo no mínimo 45 minutos de atividade aeróbica.

Hoje minha pressão arterial é 10×6 e meu peso oscila entre 71-73kg, pretendo ainda chegar nos 65 (mesmo com a maioria achando que o meu atual peso está bom pra mim – mas é o que eu quero, e não que os outros acham, porque se eu fosse pelo que os outros acham eu estaria ainda com 123 kg) e com a mudança de vida que tive resolvi também mudar o nome do blog para: “Enfim magra, porém obesa! – Indagações e relatos de uma eterna obesa em um corpo magro!”.

Sejam bem vindos a uma nova etapa desse blog, uma era de manutenção de peso e melhoria contínua de qualidade de vida!

3 pensamentos sobre “3 anos de Rumo à Bariátrica

  1. olá. Em primeiro lugar com a nova lei o plano de saúde é obrigatório cobrir a sua plástica. Agora não entendo como não consegue sentir-se magra após sair dos 123 kg para 71 kg? Pergunto isso pq estou preprando para fazer a cirurgia e percebo que a maioria das pessoas operadas não estão felizes com os resultados. Alguns perderam a identidade e outros por não poderem comer o que antes gostavam. Afinal o que é mais prazeroso: enfiar o pé na jaca ou ter um corpo saudável(não de modelo mas normal digamos assim)? Não estou julgando é pq conheço alguém que operou e hoje ela é depressiva e as vezes tenho receio de operar.

    • Olá Juci,

      Então, infelizmente a lei não ajuda muito quando os médicos não querem fazer o “serviço”… Quanto ao não me sentir magra é totalmente psicológico, viver mais de 20 anos gorda te faz sentir gorda mesmo com o corpo magro, é o famoso distúrbio de imagem corporal que a maioria das pessoas no pré operatório falaram e eu nunca consegui entender antes de passar por isso… Eu sou mega feliz com a minha nova realidade, só que a gente sabe que com a retirada das peles tudo melhora, mas enquanto isso não melhora eu continuo seguindo a minha vida da melhor forma possível sempre indo pra academia e me alimentando corretamente na maior parte do tempo. Não se iluda imaginando que após cortar o seu estômago tudo será um mar de rosas, mas que a sua vida vai mudar drasticamente normalmente pro bem ah isso vai…

      Força, foco e fé!

      Até mais,

  2. olá. que bom encontrei alguém passando pela mesma crise que eu. Fiz a bariatrica há 2 anos e meio perdi bastante peso .
    Operei com 118 quilos e estou agora com 70 as vezes 71 e quero chegar aos 65.Esta é realmente a pior fase, posso comer de tudo e quase nada faz mal e é horrivel ter que controlar a alimentação e enfrentar medo de engordar novamente.

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